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IA

Como usar a Inteligência Artificial nos conteúdos e na mentoria

A IA não substitui método, repertório ou experiência: ela potencializa os três. Como uso IA para atrair, entender, personalizar e ensinar dentro da mentoria.

Felipe Lessa

Felipe Lessa

Mentor de concursos fiscais

02 de setembro de 2026

6 min de leitura

Como usar a Inteligência Artificial nos conteúdos e na mentoria

A IA não substitui método, repertório ou experiência. Ela potencializa os três.

Quanto mais eu uso Inteligência Artificial no meu negócio de mentoria para concursos, mais chego a uma conclusão: a IA não substitui método, repertório ou experiência. Ela potencializa os três.

Essa é uma distinção importante porque acredito que um dos maiores erros que podemos cometer é terceirizar nosso pensamento para a Inteligência Artificial.

Se você é mentor e abre uma ferramenta de IA pedindo simplesmente "me dê 20 ideias de conteúdo sobre o meu nicho", provavelmente vai receber ideias. O problema é que elas tendem a ser parecidas com aquilo que qualquer outro mentor receberia fazendo a mesma pergunta.

Eu prefiro fazer o caminho contrário.

Nos conteúdos, começo pelo que o mercado já validou

Uma das principais formas como utilizo IA hoje é na produção de conteúdo e de criativos.

Mas não peço para ela adivinhar o que meu público quer assistir.

Eu olho primeiro para o que já performou organicamente.

Se determinado Reel teve um alcance muito acima da minha média, gerou muitos comentários ou provocou uma resposta interessante da audiência, existe um sinal ali. Aquele assunto, aquela dor ou aquela abordagem chamou a atenção do mercado.

É nesse momento que entra a Inteligência Artificial.

Posso entregar aquele conteúdo para a IA e pedir que identifique a ideia central, as dores envolvidas, as crenças que estão sendo quebradas e, principalmente, novos ângulos para trabalhar aquela mesma ideia.

Um conteúdo pode virar uma abordagem pela dor, outra pelo desejo, outra por uma quebra de crença, outra contando uma história e outra atacando uma objeção específica.

Algumas dessas novas abordagens podem, inclusive, se transformar em criativos para tráfego pago.

Costumo pensar que um conteúdo vencedor não é uma peça. É uma mina.

E a Inteligência Artificial ajuda a explorá-la.

O ponto de partida, porém, continua sendo o meu repertório e, principalmente, a resposta real da minha audiência.

Dentro da mentoria, a lógica é diferente

No atendimento aos alunos da mentoria, existe uma linha que considero importante não cruzar: a Inteligência Artificial nunca deve substituir o trabalho do mentor.

Mentoria envolve contexto, experiência, método e capacidade de julgamento.

Ao mesmo tempo, a IA pode aumentar absurdamente a capacidade que um mentor tem de analisar informações sobre seus alunos.

Imagine um aluno com meses de histórico: metas realizadas, horas de estudo, percentual de acertos, simulados, evolução por disciplina, revisões e dificuldades relatadas ao longo da preparação.

Existem muitos insights escondidos nesses dados.

A IA pode ajudar a identificar, por exemplo, que o aluno aumentou a carga horária em determinada disciplina, mas seu desempenho não evoluiu na mesma proporção. Pode encontrar uma matéria que entrou em estagnação ou comparar períodos diferentes da preparação.

Para mim, a lógica é simples:

DADOS → IA → INSIGHTS → MENTOR → DECISÃO

A Inteligência Artificial me ajuda a enxergar. Quem decide o que fazer com aquela informação sou eu.

Personalização em uma escala que antes era muito difícil

Existe ainda outra aplicação que considero extremamente interessante: usar IA para criar materiais específicos de acordo com as necessidades de cada aluno.

Se identificamos uma deficiência em determinado assunto, podemos gerar um resumo específico, uma explicação complementar, exercícios, simulados, perguntas de revisão ou materiais direcionados exatamente para aquela dificuldade.

Em vez de oferecer sempre a mesma solução para todos, ganhamos mais uma ferramenta para individualizar a experiência.

E isso fica ainda mais interessante quando usamos a IA como uma espécie de professor particular.

Hoje é possível criar uma Inteligência Artificial alimentada com os materiais de determinada disciplina. Dessa forma, o aluno não precisa simplesmente fazer perguntas para uma IA genérica. Ele pode interagir com uma ferramenta construída a partir das referências que utilizamos naquela preparação.

O aluno pode pedir uma nova explicação sobre um conceito que não entendeu, discutir uma questão que errou, solicitar exemplos ou até pedir que a IA faça perguntas para testar seu conhecimento.

Isso não elimina o papel do professor ou do mentor. Pelo contrário: aumenta a capacidade de entrega do método que já existe.

Afinal, qual é o papel da IA?

Eu vejo quatro grandes aplicações no nosso trabalho de mentoria.

Uso IA para atrair, encontrando novos ângulos a partir de conteúdos que já funcionaram.

Uso para entender, analisando dados e extraindo insights individualizados dos alunos.

Uso para personalizar, criando materiais específicos de acordo com as dificuldades encontradas.

E uso para ensinar, oferecendo ao aluno uma ferramenta que pode funcionar como um professor particular treinado a partir dos materiais da disciplina.

Em nenhuma dessas situações entrego para a Inteligência Artificial a responsabilidade final pelo conteúdo, pelo método ou pela decisão.

Essa responsabilidade continua sendo humana.

Por isso, não acredito que a Inteligência Artificial vá substituir bons mentores. Mas acredito que existe uma diferença enorme começando a surgir entre o profissional que simplesmente delega seu trabalho para a IA e aquele que aprende a utilizá-la para ampliar sua própria capacidade.

A Inteligência Artificial não substitui método, repertório ou experiência. Nas mãos de quem possui os três, ela os potencializa.

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Felipe Lessa

Escrito por

Felipe Lessa

Estudos, frameworks e bastidores para profissionalizar quem vive de mentoria no Brasil.